terça-feira, 24 de março de 2009

OFICINA. Resumo: Eco-leituras e Contação de histórias

São Carlos, 17 de fevereiro de 2009.


Proext: Sarau itinerante: práticas coletivas de eco-leituras

Oficinas: Eco-leituras (Profa. Dra. Luzia Sigoli Costa)
Como contar estórias (Profa. Dra Irene)

Local: Sala de Reuniões DCI
Hora: 09:00hs às 12:00hs.

Dando continuidade a prática das oficinas, tivemos hoje, dois instigantes desafios. Pesarmos nossa escolha e nosso objetivo de abordarmos o meio ambiente como eixo transversal das ações de leitura (Profa. Luzia Sigoli) e entendermos a particularidade e o objetivo do contar histórias como uma ação repleta efeitos (também pragmáticos) aos ouvintes-leitores (Profa. Irene).
Fomos convidados pela profa. Luzia, a pensarmos o uso do conceito de Eco-leitura, que adotamos em nosso projeto. Conduzidos a refletir a etimologia da palavra, aprendemos a dupla face do radical Eco que também quer dizer casa. Um sinônimo bem apropriado. Mas ainda, sem adentrar as especulações do uso de conceitos que representariam o que seria a “conservação da natureza” em nosso trabalho, discutimos o porque da escolha deste tema e chegamos as seguintes considerações: trata-se de um tema mobilizador, de fácil engajamento entre as pessoas; perpassa diferentes níveis de escolaridade, idade, credo, crenças, territorialização, escolhas políticas específicas. É um tema que, poderíamos considerar, até certo ponto, Universal. No espaço científico, a profa Luzia nos lembra, a partir de Anthony Giddens, o quanto teorias e tecnologias tem sido desenvolvidas para resolver problemas causados pelo próprio desenvolver científico, e que dizem respeito consideravelmente ao meio ambiente.
Retomando as questões conceituais, discutimos o uso de palavras que representariam as discussões relacionadas ao que chamamos de “eco”, tanto para nos entendermos, quanto para nos fazermos entender e entendermos os diferentes discursos que possivelmente iremos nos deparar, e ainda, até mesmo, para efetuarmos nossos levantamentos bibliográficos para selecionarmos a literatura que levaremos as casas das pessoas. Os conceitos de ecologia e meio ambiente nos soam mais comuns, e parecem ter um sentido próximo ao de uma consciência ambiental coletiva. No entanto, conceitos como o de sustentabilidade tem sido utilizado em veículos de comunicação para representar o conjunto de ações preventivas e aparentemente nocivas ao meio ambiente. No intuito de ajustarmos um pouco mais nosso entendimento sobre esses conceitos, ficamos com a lição de casa de escrevermos o que eles representariam para cada um de nós.
Depois desta etapa da oficina, entramos em um outro patamar de discussão, momento em que a Profa Luzia, a partir de sua instigação em identificar elementos que nos permitirão posteriormente nos dar o tom e o retorno das nossas ações na comunidade, tanto no que se refere a incursão da alguns hábitos de leitura nas casas, como também a assimilação a prática de ações relacionadas a um bom uso de seu ambiente e da natureza coletiva.
Nesse sentido a profa. nos apresentou um quadro com conceitos verticais, horizontais e transversais que se estruturam e interconectam de modo simples as ações cotidianas das pessoas com o meio ambiente, e com os próprios elementos que compõe esse mesmo meio ambiente. Ao mesmo tempo o quadro permite uma movimentação interessante, e por que não dizer completa, sobre as possibilidades de identificação efetiva dos resultados de nosso trabalho. O quadro em questão impressionou a todos. Ele irá passar ainda por alguns ajustes e logo o rediscutiremos.
Após tomarmos um copo d´água, depois dessa oficina que nos deixou com as mentes a todo vapor, Profa Irene adentra nossa sala para nos Contar como Contar! Vestida com uma linda saia florida, um goro preto e uma flor na mão, nos conta um conto. Nossa reação foi a contemplação.
Em seguida, aprendemos com ela, que é necessário criarmos um ambiente de contação de estórias e que contar é uma arte e temos que gostar das pessoas para quem vamos contar a estória. A contação não é uma técnica e sim, uma emoção. A contação é polissêmica. Mesmo assim temos que dar muita atenção a entonação de nossa voz na hora de contar. “Contar é entonação da voz.” Nesse momento a profa Irene também nos alerta para cuidarmos e não interpretarmos ou dramatizarmos a estória que estamos contando e nos diz que não podemos passar a moral da estória. Temos que ser imparciais em nossa contação e ao mesmo tempo oferecermos o máximo possível de elementos para que o ouvinte crie a sua interpretação. Nós temos que memorizar a história e contar com nossas palavras – adequar a linguagem aos ouvintes. Precisar estimular o prazer a audição
Tecnicamente, profa. Irene nos ensinou que devemos contar a estória ineterrupidamente. E que não devemos cobrar nada, apenas sugerir uma reposta através de uma maquete, um desenho uma redação... alguma forma de representação da mensagem recebida.Ela sugeriu também que todos nossos ouvinte-leitores ficassem bem acomodados sentados no chão e em círculos.
Depois de tantos conselhos e conhecimentos recebidos, fomos surpreendidos com uma tarefa: a de contarmos cada um, uma história. Recebemos, da profa Irene, uma fábula para contarmos. Cada um leu, memorizou e pensou a fábulas. Depois iniciamos nossa contação, cada um a seu modo, e de modos muito especiais. Para muito esta fora a primeira experiência no contar uma estória. E além disso, sabíamos que estamos nos arriscando justamente para cometermos os deslizes que pretendemos corrigir e minimizar quando estivermos nas casa de nossos amigos ouvinte-leitores. Foi uma experiência preciosa. Nos vimos tendo que cuidar de nossos vícios da linguagem, ajustar a entonação de nossa voz, evitar interpretar o que estávamos dizendo, sem apresentar nossos julgamentos, memorizar e adaptar a história para eventualidades que podem ocorrer durante a contação ( como um barulho de caminhão que passa pela rua), não dramatizarmos demasiadamente nossa contação...dentre tantos elementos que antes desta experiência passam despercebidos. De fato a emoção torna-se condição para a contação. Todos os envolvidos na oficina contaram sua história, e com emoção. Depois lemos nossas fábulas e fomos alertados pela profa. Irene sobre algumas condutas que poderíamos seguir melhorarmos para nossas próximas contação o que enriqueceu ainda mais nossa experiência. Dentre uma delas, a de que devemos sempre terminar as histórias, e na medida do possível dizendo: Entrou por uma porta e saiu pela outra, quem quiser que conte outra!

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